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SACRIFÍCIO ANIMAL EM RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS E O PAPEL DO MÉDICO VETERINÁRIO NO CONTEXTO ÉTICO E RELIGIOSO
Leticia Grazielli Ferreira

Última alteração: 2025-10-07

Resumo


Nas religiões afro-brasileiras, a presença dos animais em rituais é vista como parte essencial da tradição. O processo pode envolver apenas a sacralização, onde o animal é preparado, reverenciado e se torna sagrado, ou pode chegar ao sacrifício, que é quando ocorre o abate ritual (PRANDI, 2005). Em ambos os casos, existe um fundamento espiritual que conecta o animal, a comunidade e as divindades. Apesar disso, ainda há muito preconceito e intolerância quando o tema é o uso de animais em religiões de matriz africana, diferente do que acontece com práticas semelhantes em outras culturas, como o halal e o kosher (SANTOS, 2022). Do lado jurídico, a Constituição Federal de 1988 garante a liberdade de culto (BRASIL, 1988), e em 2019 o STF reafirmou que o sacrifício animal em rituais é constitucional, desde que não seja praticado com crueldade (MORAES, 2019, apud FERNANDES, 2023). Mesmo assim, o tema continua sendo questionado sob a ótica do bem-estar animal. Pesquisas da área veterinária destacam que não existe comprovação científica de que métodos ritualísticos de insensibilização, como orações e banhos de ervas, sejam eficazes, e defendem a necessidade de padronização (OLIVEIRA; GOMES; NEVES, 2022). Nesse cenário, o papel do médico veterinário é central: ele precisa saber reconhecer a diferença entre maus-tratos e prática religiosa, agir com respeito cultural, mas sem abrir mão da ética e da ciência.

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