Jornacitec Botucatu, XIV JORNACITEC - Jornada Científica e Tecnológica

Tamanho da fonte: 
Aplicações Emergentes da Inteligência Artificial: Tendências, Impactos Sociais e Desafios Éticos
Fábio Roberto Pierre, Fernanda Cristina Pierre Di Nardo

Última alteração: 2025-09-26

Resumo


A Inteligência Artificial (IA) consolidou-se como uma das tecnologias mais disruptivas da contemporaneidade, transformando profundamente a sociedade. O artigo analisa suas aplicações emergentes, impactos sociais e desafios éticos, fundamentando-se em autores clássicos e contemporâneos. Segundo Russell e Norvig (2004), a IA pode ser entendida como a construção de sistemas que pensam e agem racionalmente, simulando processos cognitivos humanos. Para Minsky (1985), a IA também representa a expansão do conhecimento sobre a mente, enquanto Medeiros (2018) a descreve como uma extensão simbólica e operativa do pensamento humano. Já Goasduff (2019) e Bimbraw (2015) discutem tendências atuais e avanços práticos, como a ascensão de veículos autônomos e sistemas inteligentes aplicados ao cotidiano. Entre as aplicações emergentes, destacam-se a robótica humanoide (ex.: Atlas e Sophia), que alia aprendizado de máquina e interação expressiva; a automação logística, como o uso de robôs Kiva pela Amazon; os veículos autônomos, que combinam sensores avançados e algoritmos de deep learning; e as interfaces cérebro-computador, que possibilitam a pacientes com paralisia controlar próteses apenas com o pensamento. Além disso, a chamada IA aumentada vem ganhando espaço em áreas como saúde, educação e atendimento ao cliente, potencializando capacidades humanas. Os impactos sociais dessas inovações são ambivalentes. Por um lado, a automação aumenta a eficiência e gera novos serviços; por outro, ameaça empregos tradicionais, exigindo requalificação profissional e novas políticas públicas. Na educação, a IA viabiliza personalização da aprendizagem, mas também pode aprofundar desigualdades. No campo democrático, o uso de algoritmos de vigilância e reconhecimento facial suscita sérias preocupações quanto à privacidade e aos direitos civis. No âmbito dos desafios éticos, ganha destaque a dificuldade de explicar as decisões de algoritmos complexos, como os de redes neurais profundas, o que compromete a transparência e pode reforçar vieses. Também há dilemas sobre a responsabilidade em situações críticas, como falhas em veículos autônomos ou em diagnósticos médicos. Para enfrentar tais questões, propõe-se que a ética da IA seja guiada por princípios como justiça, beneficência e transparência, além da criação de mecanismos de governança global que articulem esforços de governos, empresas e sociedade civil. Conclui-se que a IA já não é apenas uma promessa, mas uma realidade que redefine estruturas sociais, econômicas e políticas. Contudo, seu desenvolvimento deve caminhar lado a lado com reflexão crítica e responsabilidade coletiva, garantindo que os benefícios sejam distribuídos de forma inclusiva e que os riscos sejam geridos com prudência.


Texto completo: PDF