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DO LIXO AO REUSO: TRANSFORMAÇÃO DE RESÍDUOS ELETRÔNICOS EM OBJETOS DE VALOR SOCIAL
Última alteração: 2025-10-09
Resumo
: A geração de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (REEE) tem crescido de forma acelerada, impulsionada pelo rápido ciclo de obsolescência tecnológica e pelo consumo elevado de dispositivos digitais. Globalmente, o volume de lixo eletrônico aumenta cinco vezes mais rápido do que sua taxa de reciclagem (ONU, 2024). No contexto brasileiro, o país está entre os cinco maiores geradores mundiais e, em 2022, descartou cerca de 2,4 milhões de toneladas de REEE, contudo apenas 77 T são recicladas (ONU, 2024; DIAS et al., 2022). Embora seja o maior produtor da América Latina, apenas aproximadamente 3% desses resíduos são reciclados de maneira adequada (SCHINEIDER; AANESTAD; CARVALHO, 2024). Parte significativa dos componentes de alto valor, como os metais presentes em placas de circuito impresso, continua sendo enviada ao exterior para processamento devido à ausência de infraestrutura nacional adequada (NETO; SILVA; SANTOS, 2019). Esse cenário evidencia sérios riscos ambientais e à saúde pública, já que os REEE contêm substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio, cádmio, berílio, bromatos. Quando manipulados sem controle técnico, esses compostos podem contaminar solos, águas subterrâneas e afetar diretamente os seres humanos (RICTHER et al., 2022). Diante da limitada capacidade de processamento local e da necessidade de reduzir os impactos ambientais, a reutilização de componentes eletrônicos descartados constitui uma estratégia relevante, transformando esses materiais em objetos com novas funcionalidades sociais e fortalecendo sua valorização como agentes de transformação comunitária. Assim, este trabalho tem por objetivo arrecadar lixo eletrônico reciclável e transformá-lo em três objetos de utilidade social. Os seguintes materiais foram utilizados para a construção dos protótipos: Filtro dos Sonhos – cabos de rede; Microscópio caseiro – celular com câmera, lâmina de vidro, EVA, fita adesiva, papel rígido e lente extraída de um drive de DVD; Mini gerador de energia eólica – controle dualshock de Playstation, ventoinha, controle remoto, cabo de fonte e luz de LED. A metodologia foi desenvolvida em duas etapas principais: arrecadação e seleção de resíduos eletrônicos por meio de campanha junto à comunidade acadêmica, avaliando o estado de conservação e a viabilidade de reaproveitamento; e construção dos protótipos, atualmente em andamento. O Filtro dos Sonhos encontra-se em fase de montagem, utilizando o cabo de rede como elemento estrutural e decorativo. O Microscópio caseiro será confeccionado por adaptação de uma lente extraída de drive de DVD sobre a câmera de um celular, com apoio rígido e fita adesiva para estabilização, além de superfície transparente como base para as amostras. O Mini gerador de energia eólica encontra-se em montagem, empregando ventoinha, controle dualshock e cabo de fonte para conversão da energia mecânica em elétrica, destinada ao acionamento de um LED indicador. Espera-se que a arrecadação de resíduos eletroeletrônicos possibilite a construção de três protótipos de utilidade social, demonstrando a viabilidade do reaproveitamento de componentes descartados em aplicações práticas. A iniciativa deve contribuir para a conscientização da comunidade acadêmica quanto à importância da destinação adequada dos REEE, evidenciando o potencial do reuso como estratégia de mitigação de impactos ambientais.
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