Jornacitec Botucatu, XIV JORNACITEC - Jornada Científica e Tecnológica

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DO LIXO AO REUSO: TRANSFORMAÇÃO DE RESÍDUOS ELETRÔNICOS EM OBJETOS DE VALOR SOCIAL
Caio Fernando Franco da Silva Assaoka, Gabriel Verpa Cavallari, Lorenzo Victório Vieira Martins, Matheus Ferreira Cardoso, Thiago Henrique Diniz, Vivian Toledo dos Santos Gambarato

Última alteração: 2025-10-09

Resumo


: A geração de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos (REEE) tem crescido de forma acelerada, impulsionada pelo rápido ciclo de obsolescência tecnológica e pelo consumo elevado de dispositivos digitais. Globalmente, o volume de lixo eletrônico aumenta cinco vezes mais rápido do que sua taxa de reciclagem (ONU, 2024). No contexto brasileiro, o país está entre os cinco maiores geradores mundiais e, em 2022, descartou cerca de 2,4 milhões de toneladas de REEE, contudo apenas 77 T são recicladas (ONU, 2024; DIAS et al., 2022). Embora seja o maior produtor da América Latina, apenas aproximadamente 3% desses resíduos são reciclados de maneira adequada (SCHINEIDER; AANESTAD; CARVALHO, 2024). Parte significativa dos componentes de alto valor, como os metais presentes em placas de circuito impresso, continua sendo enviada ao exterior para processamento devido à ausência de infraestrutura nacional adequada (NETO; SILVA; SANTOS, 2019). Esse cenário evidencia sérios riscos ambientais e à saúde pública, já que os REEE contêm substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio, cádmio, berílio, bromatos. Quando manipulados sem controle técnico, esses compostos podem contaminar solos, águas subterrâneas e afetar diretamente os seres humanos (RICTHER et al., 2022). Diante da limitada capacidade de processamento local e da necessidade de reduzir os impactos ambientais, a reutilização de componentes eletrônicos descartados constitui uma estratégia relevante, transformando esses materiais em objetos com novas funcionalidades sociais e fortalecendo sua valorização como agentes de transformação comunitária. Assim, este trabalho tem por objetivo arrecadar lixo eletrônico reciclável e transformá-lo em três objetos de utilidade social. Os seguintes materiais foram utilizados para a construção dos protótipos: Filtro dos Sonhos – cabos de rede; Microscópio caseiro – celular com câmera, lâmina de vidro, EVA, fita adesiva, papel rígido e lente extraída de um drive de DVD; Mini gerador de energia eólica – controle dualshock de Playstation, ventoinha, controle remoto, cabo de fonte e luz de LED. A metodologia foi desenvolvida em duas etapas principais: arrecadação e seleção de resíduos eletrônicos por meio de campanha junto à comunidade acadêmica, avaliando o estado de conservação e a viabilidade de reaproveitamento; e construção dos protótipos, atualmente em andamento. O Filtro dos Sonhos encontra-se em fase de montagem, utilizando o cabo de rede como elemento estrutural e decorativo. O Microscópio caseiro será confeccionado por adaptação de uma lente extraída de drive de DVD sobre a câmera de um celular, com apoio rígido e fita adesiva para estabilização, além de superfície transparente como base para as amostras. O Mini gerador de energia eólica encontra-se em montagem, empregando ventoinha, controle dualshock e cabo de fonte para conversão da energia mecânica em elétrica, destinada ao acionamento de um LED indicador. Espera-se que a arrecadação de resíduos eletroeletrônicos possibilite a construção de três protótipos de utilidade social, demonstrando a viabilidade do reaproveitamento de componentes descartados em aplicações práticas. A iniciativa deve contribuir para a conscientização da comunidade acadêmica quanto à importância da destinação adequada dos REEE, evidenciando o potencial do reuso como estratégia de mitigação de impactos ambientais.

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