Jornacitec Botucatu, XIV JORNACITEC - Jornada Científica e Tecnológica

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DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS SUSTENTÁVEIS A PARTIR DE LIXO ELETRÔNICO
Vivian T. S. Gambarato, Lucas dos Santos Campinas, Luis Fernando Basso, Rafael da Silva Aguilar, Sophia Correa Ferreira

Última alteração: 2025-10-09

Resumo


O lixo eletrônico configura-se como um dos mais urgentes desafios ambientais no Brasil contemporâneo. Dados da ABRELPE (2023) revelam que o Brasil gera anualmente mais de 2 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos, com índice de reciclagem inferior a 3%. O descarte inadequado em lixões convencionais não apenas polui o meio ambiente, mas também submete catadores a riscos sanitários, aprofundando desigualdades sociais (WHO, 2022). A gravidade do problema torna-se evidente quando se considera que dispositivos eletrônicos obsoletos contêm metais pesados como chumbo, mercúrio e cádmio, que contaminam solos e aquíferos (UNEP, 2021). A carência de infraestrutura é alarmante - apenas 15% dos municípios paulistas possuem postos de coleta especializada (MMA, 2023). Iniciativas como o Eco-Eletro (2023) e o Lab de Gambiarra comprovam a viabilidade de soluções criativas, ecoando os resultados obtidos. Como resposta criativa a esse cenário, foi desenvolvido um projeto prático de reciclagem durante as aulas de Tópicos Especiais em Informática, no Curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas d FATEC de Botucatu. O grupo de desenvolvimento é composto por quatro alunos que transformaram resíduos eletrônicos em três produtos funcionais: (1) um tabuleiro de xadrez artesanal, utilizando teclas de teclados inoperantes como peças e placas-mãe como base; (2) um aquário retro-fit, adaptando o tubo de imagem de TVs CRT com iluminação LED reaproveitada; e (3) um espelho futurista, composto por discos rígidos desmontados e polidos. O processo envolveu coleta seletiva, desmontagem segura com equipamentos de proteção, limpeza especializada e montagem criativa, demonstrando o potencial de transformação desses materiais. Os produtos resultantes do projeto serão expostos na faculdade, demonstrando as possibilidades criativas de reciclagem e reaproveitamento de componentes. Desta forma, pode-se concluir que a combinação de políticas públicas robustas com ações educativas inovadoras representa um caminho promissor. Recomenda-se a ampliação de campanhas de conscientização; implantação de pontos de coleta seletiva; e oficinas escolares de reciclagem e reaproveitamento do lixo eletrônico, seguindo modelos consagrados como o da Green Eletron e incorporando práticas criativas como as desenvolvidas no presente projeto. Porém, a solução exige engajamento tripartite: governo, setor privado e sociedade civil.


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