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A IMPORTÂNCIA DO REUSO CRIATIVO DE RESÍDUOS ELETRÔNICOS: FONTE ATX, FLIPERAMA RETRÔ E LIXEIRA AUTOMATIZADA
Última alteração: 2025-10-09
Resumo
Em 2019, o planeta gerou 53,6 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos, dos quais apenas 17,4 % foram oficialmente coletados e reciclados (FORTI et al., 2020). Três anos depois, esse volume mundial subiu para 62 milhões de toneladas e a taxa de reciclagem formal atingiu 22,3 %, ainda abaixo das metas globais (BALDÉ et al., 2024). No mesmo intervalo, o Brasil — quinto maior gerador — passou de 2,143 milhões de toneladas de e‑lixo em 2019 para 2,443 milhões de toneladas em 2022, um aumento de cerca de 14 % (FORTI et al., 2020; BALDÉ et al., 2024). A quantidade efetivamente reciclada evoluiu de 140 toneladas (< 0,01 %) para 79 mil toneladas (≈ 3,2 %), revelando avanço, mas ainda muito aquém do necessário (FORTI et al., 2020; BALDÉ et al., 2024). Esses resíduos contêm metais pesados e substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio, cádmio, arsênio, entre outros, que contaminam solo e água, acarretando riscos graves à saúde humana e ao meio ambiente (BOSQUESI; FERREIRA, 2018). Diante dessa problemática, a reutilização criativa de componentes eletrônicos desponta como alternativa sustentável em alguns lugares como no Centro Cultural Bom Jardim, em Fortaleza, aonde os cursos Metareciclar e Resíduo Tecnológico Vira Arte capacitaram moradores da periferia a transformar sucata eletrônica em acessórios, jogos de tabuleiro e objetos de decoração, gerando renda e promovendo inclusão digital e educação ambiental (FARIAS; MAGALHÃES JÚNIOR, 2021). Reforçando a importância do tema, uma revisão sistemática de Dias et al. (2024) examinou 537 referências iniciais e, após critérios de rigor metodológico, selecionou 50 artigos para análise, evidenciando o crescente interesse acadêmico no comportamento de descarte responsável de e‑lixo. Este trabalho também ilustra o conceito de metareciclagem na prática, apresentando protótipos desenvolvidos a partir de sucata eletrônica, sendo: uma fonte ATX convertida em fonte de bancada multi‑tensão (+3,3 V, +5 V, +12 V e –12 V); um fliperama retrô montado a partir de uma TV Box Android obsoleta; e uma lixeira automatizada que aproveita o sensor óptico de um mouse como detector de proximidade, conectado a um Arduino para acionar um servo motor que abre a tampa sem contato manual, garantindo higiene e reutilização de componentes. Todos os protótipos comprovam viabilidade técnica, prolongam a vida útil de peças e reduzem o volume de e-lixo, além de sensibilizar estudantes e a comunidade para a importância da reciclagem e do reuso de eletrônicos.
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